Manuel FERREIRA, ®
(1917-1992)

 

Relações da família

Cônjuges/Filhos:
1. Orlanda Amarilis Lopes Rodrigues FERNANDES, ®

Manuel FERREIRA, ®

  • Nascimento: 18 Jul 1917
  • Casamento (1): Orlanda Amarilis Lopes Rodrigues FERNANDES, ®
  • Óbito: 17 Mar 1992, Linda-a-Velha, , Lisboa, Portugal com 74 anos de idade
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Símbolo  Eventos de relevo na sua vida:



• Foto casal: 1963, em Lisboa, , Lisboa, Portugal. Nos Restauradores

• Nota biográfica: em 2017,. MANUEL FERREIRA (1917 '96 1992)

Nota biográfica da autoria de João B. Serra
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Autor de obras de ficção como Hora Di Bai (1962) e Voz de Prisão (1971), foi também um investigador qualificado da história cultural e literária dos países africanos de expressão portuguesa, tendo editado, prefaciado, antologiado e estudado a produção literária contemporânea de autores cabo-verdianos, angolanos, guineenses, moçambicanos e são-tomenses. Alguns títulos que publicou: Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa, 1977; 50 Poetas Africanos, 1989, No Reino de Caliban, 3 vols. 1972, 1976, 1986; revista África, catorze números editados entre 1978 e 1986. Em 1974 foi convidado para leccionar a cadeira de "Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa" na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, iniciando então uma inesperada e intensa carreira académica, no decurso da qual formou e orientou estudantes de licenciatura, mestrado e doutoramento, efectuou e publicou investigação e fez conferências pela Europa, África, Brasil e Estados Unidos.

Menos conhecida é a condição de militar de Manuel Ferreira. Alistou-se no Exército, em 1933, com dezasseis anos, como voluntário. Em 1938 foi afastado da instituição, a que viria a regressar, em 1940, no âmbito da mobilização determinada pela conjuntura de guerra no Atlântico. Fez parte das tropas expedicionárias enviadas para Cabo Verde em 1941, onde ficaria até 1946. Colocado então Leiria, daqui partiria para Goa, dois anos mais tarde, permanecendo na Índia até 1954. De novo em Portugal, agora nas Caldas da Rainha, com o posto de 1º sargento, prestou aí serviço entre 1954 e 1958, data em que foi colocado em Lisboa. Promovido ao posto de tenente em 1965, seguiu para Luanda ali permanecendo até 1967. Passou à reserva no posto de capitão em 1974.

Quando ingressou nas Forças Armadas tinha o curso comercial da Escola Técnica Domingos Sequeira de Leiria, que frequentara em condições particularmente difíceis. Órfão de pai desde os dois anos, nascera numa família de parcos rendimentos de Gândara dos Olivais, Marrazes. No Liceu Gil Eanes, no Mindelo, concluiu o curso liceal, secção de Letras, a que acrescentou Ciências, já em Goa, no Liceu Afonso de Albuquerque. Em 1952, licenciou-se em Farmácia, na Escola Médico-Cirúrgica de Goa. Em 1974 concluiu o curso de Ciências Sociais e Politicas no Instituto de Ciências Sociais e Politicas Ultramarinas.

Na biografia de Manuel Ferreira o ano de 1938 é um marco decisivo. Detido pouco antes de perfazer 21 anos, foi entregue à Policia Política, acusado de envolvimento em tentativa de insurreição militar no seu regimento, Metralhadoras 2 de Coimbra. Durante mais de um ano, permaneceu nas cadeias do Porto e de Lisboa, até ao julgamento, pelo Tribunal Militar Especial de Santa Clara, que o absolveu. Foi na prisão do Porto que conheceu Joffre Amaral Nogueira, um jovem intelectual comunista, de Coimbra, com o qual se iniciou na filosofia marxista. Despertado então o seu interesse pelos temas sociais e políticos, aproximar-se-ia do movimento neo-realista, que dava os primeiros sinais com a publicação de textos de Manuel da Fonseca, Alves Redol, Joaquim Namorado e Mário Dionísio.
Quando chegou ao Mindelo, em finais de 1941, deu-se conta da existência de um ambiente juvenil curioso em relação às perspectivas culturais e politicas de que se fazia eco, ao mesmo tempo que descobria, fascinado, a densidade do movimento literário que se afirmara em Cabo Verde a partir de 1936, com a revista Claridade. Dois dos principais nomes da literatura e do pensamento dessa geração, Baltasar Lopes e Aurélio Gonçalves, eles estavam professores do Liceu, que o furriel entretanto frequentou, quer como aluno, quer como companheiro de tertúlias dos estudantes mais velhos.
O envolvimento de Manuel Ferreira com a paisagem urbana e a vida social mindelense foi muito para além do que se poderia esperar de um militar destacado para a ilha de S. Vicente. Ali estimulou o lançamento e uma nova revista, Certeza, que a censura viria a proibir, após o segundo número. Ali descobriu uma língua, já com padrão literário, associada ao canto e à musica (a morna). Ali sedimentou e aperfeiçoou a sua própria vocação de escritor, no convívio solícito de António Aurélio Gonçalves. Ali criou novos nexos afectivos, vencendo obstáculos pesados para poder casar com uma jovem aluna do Liceu, Orlanda Amarílis, oriunda da ilha de Santiago, também ela futura escritora. Enfim, ali nasceu o seu primeiro filho.

O itinerário cívico e intelectual de Manuel Ferreira combinaria estes duas traves mestras: a integração na cultura neo-realista e uma proximidade participante na construção da identidade cabo-verdiana.
A PIDE detectaria a sua presença nas movimentações anti-fascistas do pós-Guerra. Manuel Ferreira integrou o núcleo do MUD Juvenil em Leiria, em cujo regimento, o Infantaria 7, foi colocado depois que regressou de Cabo Verde. E continuou no seu encalço em Águeda, onde em 1948, frequentou a Escola de Sargentos.
Entrou de novo no radar da policia do Fascismo nas Caldas da Rainha. Nesta cidade, ma segunda metade da década de 50, Manuel Ferreira, enquanto consolidava a sua carreira literária, publicando A Casa dos Motas (1955) e Morabeza (1957), intervinha na vida cultural da cidade, proferindo conferencias em sindicatos e associações recreativas e integrando os corpos gerentes, como presidente, da primeira associação de natureza exclusivamente artística e cultural da cidade.
Na primeira metade da década de 60, o escritor foi chamado a desempenhar funções de relevo da Sociedade Portuguesa de Escritores, nas presidências de Ferreira de Castro e Jacinto do Prado Coelho. Foi um período de grande actividade e repercussão das iniciativas da organização, que viria a ser dissolvida em 1965, depois que se soube que o prémio de novelística do ano tinha sido atribuído à obra Luuanda, de Luandino Vieira, então encarcerado no Tarrafal. Foi igualmente um período em que o cerco da PIDE se fechou em torno de Manuel Ferreira, que chegou a ser alvo de um inquérito pela hierarquia militar, suspeito de ter efectuado intervenções de carácter politico em reuniões culturais.

Passou à reserva em Julho de 1974. Entretanto o Movimento das Forças Armadas indicara-o para Director de Programas Culturais da RTP, funções que exerceu até ao finais de 1975.
Professor associado convidado da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em regime de dedicação exclusiva desde que deixou a Televisão, reformou-se por limite de idade em 1987. Faleceu em 17 de Março de 1992, em Linda-a-Velha, onde residia.
No ano anterior, por ocasião da passagem do 50º aniversário da sua chegada a Cabo Verde, o município do Mindelo homenageara-o com o título de cidadão honorário. Em Julho de 1994, o Presidente da República de Cabo Verde agraciou-o, a título póstumo, com o 1º grau da ordem do Dragoeiro, em "reconhecimento pela sua relevante contribuição para o engrandecimento da nação cabo-verdiana, designadamente nos planos da investigação e da criação artístico-literária, e tendo em conta a sua elevada estatura de cidadão e intelectual".

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Nota biográfica e fotografias disponibilizadas por João B. Serra, a nosso pedido, para a página Antifascistas da Resistência.
HP


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Manuel casou com Orlanda Amarilis Lopes Rodrigues FERNANDES, ®, filha de Armando Napoleão Rodrigues FERNANDES, ® e Alice LOPES DA SILVA. (Orlanda Amarilis Lopes Rodrigues FERNANDES, ® nasceu a 8 Out 1924 em Assomada, , , Cape Verde e faleceu a 1 Fev 2014 em Lisboa, , Lisboa, Portugal.)


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