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Manuel dos SANTOS
Maria Rosa LOPES
Serafim Lopes dos SANTOS
Ana da Encarnação FIGUEIREDO

João Lopes dos SANTOS, ®
(1894-1979)

 

Relações da família

Cônjuges/Filhos:
1. Maria Amália Ramos de FIGUEIREDO

João Lopes dos SANTOS, ®

  • Nascimento: 1894, Ribeira Brava, São Nicolau, Cabo Verde
  • Casamento (1): Maria Amália Ramos de FIGUEIREDO
  • Óbito: 6 Nov 1979, Lisboa, , Lisboa, Portugal com 85 anos de idade
  • Sepult.: Nov 1979, Lisboa, , Lisboa, Portugal

Símbolo   João também usou o nome João LOPES.

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Símbolo  Eventos de relevo na sua vida:

• Nota biográfica: por Mateus Monteiro, em 2007,. Nota transcrita com a devida vénia de www.lopesfilho.com
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João Lopes dos Santos Figueiredo, membro de uma família burguesa de descendência europeia pelo lado do pai, nasceu na Vila da Ribeira Brava em 1894.
Filho de Serafim Lopes dos Santos e Ana da Encarnação Figueiredo, gozou do privilégio de uma formação intelectual ganha até aos dezasseis anos, em São Nicolau que na altura era detinha o mais alto nível de instrução.
Intelectual caracterizado pela sua originalidade e inteligência, autodidacta de formação humanística, conviveu de perto com o homem cabo-verdiano de todas as ilhas;
Possuía um alargado círculo de relações com intelectuais espalhados por diferentes países;
Conviveu com todos os elementos do grupo incubador da Revista Claridade;
Estimulou o aparecimento da Revista Claridade, inicialmente como colaborador, posteriormente como director;
Autor dos primeiros textos do domínio da sociologia e antropologia cultural em Cabo Verde, antecedeu, nessa matéria, Teixeira de Sousa, Félix Monteiro e outros;
Desempenhou o papel de mediador e conselheiro para consolidar a camaradagem necessária à vida do grupo; postura que começou a se evidenciar na sua conferências de Mindelo proferida em 1924.
Homem de grande abertura, bom sentido de humor, que inspirava a confiança da juventude, sobretudo do grupo dos finalistas do Liceu Gil Eanes que na altura criou a Revista Certeza, conforme o testemunho do Prof. Arnaldo França, que relata o episódio ligado às eleições ditas democráticas à Assembleia Nacional, marcadas pelo governo português, com o término da 2.ª guerra, em que a juventude considerava a hipótese da candidatura do Dr. Baltazar Lopes da Silva. Mas foi a João Lopes que os jovens dirigiram pedindo-lhe que transmitisse o desejo deles ao mestre Baltazar Lopes.
Por seu intermédio a geração de Certeza entusiasmou-se com a poesia protestatária e reivindicativa de Langston Hughes.

Mas qual foi o percurso de João Lopes?
Em 1908, João Lopes concluía a instrução primária na escola de Sr. Joaquim, dependente do Seminário, no Caleijão, depois de ter abandonado a escola do professor Pedro de Figueiredo, seu tio-avó, na Ribeira Brava, horrorizado com as palmatoadas. Com a conclusão do 2.º grau, matriculou-se no Seminário- Liceu como aluno externo, onde estudou durante dois anos.
Em 1910, com a morte da mãe, foi obrigado a abandonar os estudos a fim de procurar um emprego, aos dezasseis anos de idade. A solução foi a emigração para os Estados Unidos, a bordo do Navio "Willeam Groger", propriedade do amigo da família, Zurick.
Como todos os emigrantes, os primeiros anos foram difíceis. Não sabendo falar o inglês, recorria ao francês que aprendera no Seminário. Mais tarde ele encontrou um antigo aluno do Seminário, José Lisboa, de onde nasceu uma sólida amizade, que foi o seu guia nos seus primeiros anos da América.


Guiado por José Lisboa, João Lopes lançou-se na leitura de obras dos clássicos na Biblioteca Pública de New Bedford, a qual tinha uma secção portuguesa riquíssima e selecta.
João Lopes matriculou-se em escolas nocturnas para emigrantes.


Conjuntamente com alguns amigos fundaram e lançaram o jornal O Cabo Verde (que teve vida curta). Tinha-se proclamado a República em Portugal e muitos eles estavam os sonhos desses jovens que inclusive desejavam a autonomia das colónias que no seu entender, na altura, continuariam portuguesas.


Dominando já a língua inglesa e ansioso por um curso que lhe foi negado pelo seu pai, procurou empregos nocturnos e, frequentando escolas de dia, matriculou-se também por correspondência em La Sale Extension University Law School. Todo o dinheiro que lhe restava das despesas de propina e manutenção era para comprar livros, tantos ingleses como portugueses.
Em Fall River, João Lopes fundou o "Clube Instrutivo Português", onde congregava toda a comunidade cabo-verdiana do sítio para ler e frequentar escolas elementares de português, francês e inglês.
Nos Estados Unidos adquiriu uma cultura em matéria jurídica e de natureza antropológica.
Já com uma dezena de anos nos Estados Unidos foi atingido pela Gripe Espanhola. Em 1920, quase às portas da morte volta para a terra Natal, via Lisboa. Ali ficou sem dinheiro porque tudo o que pode amealhar foi gasto nos livros e tratamento da gripe. Para regressar a Cabo Verde teve que contar com o apoio do pai.


A sua biblioteca chegou em São Vicente um ano mais tarde, mas teve o azar de perder uma grande quantidade dos livros que chegaram encharcados, o que lhe causou muito sofrimento. Apesar dos contratempos, mais tarde, João Lopes veria a organizar uma importante biblioteca particular das mais ricas existentes em Cabo Verde, consultada pelos estudiosos da temática cabo-verdiana.
Dois anos depois de chegar a São Vicente, em 1922, "com a febre das letras" formou o seu círculo de relações e promoveu as primeiras reuniões do "Ciclo Cultural", um grupo da "inteligentzia local", com o Dr. Adriano Duarte Silva, Alberto Leite, Jorge Barbosa, José Lisboa, Francisco Azevedo, e Pedro Ferreira Santos. A primeira reunião aconteceu no seu quarto em "Fonte Cónego", onde leu uma conferência contendo as suas impressões sobre América. A segunda foi em casa do Dr. Adriano Duarte Silva e este leu uma conferência sobre os Desportos. A terceira reunião não chegou a acontecer porque João Lopes seguiu para Praia.

Na cidade da Praia publicou as conferências proferidas em São Vicente. Conviveu com Jaime de Figueiredo. Contactou com Julião Quintinha, António Pedro, jovem possuidor de doutrinas do modernismo, admirador, como Jaime, da Presença. Nessa mesma altura, conjuntamente com outros amigos organizaram um grupo de "Amigos da Cidade Velha". Na década de 1920 João Lopes já via Cidade Velha como um "Património da Humanidade".
Cerca de 1928/9 foi redactor do jornal Eco de Cabo Verde juntamente com Pedro Cardoso e Dr. Corsino Lopes, onde publicou os seus artigos sobre economia.
Em 1929 João Lopes editou o livro de poemas Diário de António Pedro, o primeiro trabalho sobre Cabo Verde, prenhe de folk-motives que João Lopes muito bem conhecia e defendia.
Com o regresso de Lisboa, no início da década de trinta, de Baltazar Lopes e, mais tarde, de António Aurélio Gonçalves, com a participação de João Lopes, Manuel Lopes, Jorge Barbosa, Osório de Oliveira, Pedro Corsino Azevedo e outros surgiu a revista Claridade, em Março de 1936 e que, publicado com o propósito de "fincar os pés na terra", operou uma grande viragem na literatura cabo-verdiana. As primeiras participações de João Lopes foram como colaborador, onde publicou Apontamentos. A partir daí foi director da Revista até ao último número (1960).
Entusiasmado com a mãe terra, fixou na sua Ilha São Nicolau para consolidar a sua Herdade da Egolândia em Fajã (Pico Agudo) e adquirir terras em redor. Mas é o próprio João Lopes quem admite o cumprimento da sentença: "a agricultura é a arte de empobrecer alegremente". Em 1943 encontra-se pobre e debilitado. Regressa a São Vicente, passando a trabalhar como agente comercial, saltando de ilha para ilha, o que contribui para o enriquecimento do seu cabedal de conhecimento sobre o homem cabo-verdiano.
Em são Vicente foi redactor de Notícias de Cabo Verde.


Com quase 60 anos adquiriu um curso de óptica-refractiva, em Espanha, o que lhe permitiu retomar as suas deslocações às ilhas, desta vez, para cuidar da saúde das populações, melhorando a vista a muita gente. Exemplo disso é a carta de Dr. Agostinho Neto, p 308. Actividade que lhe proporcionou muito prazer.


Em 6 de Novembro de1979 João Lopes falecia em Lisboa aniquilado pela doença de Parkinson que na altura não contava com os recursos medicamentosos de que actualmente se dispõe, deixando a sua valiosa biblioteca aos munícipes de São Nicolau. Este gesto, minhas senhoras e meus senhores, merecem o nosso aplauso!


Infelizmente esse acervo esteve, durante muito tempo, num estado de conservação deplorável, devido ao desinteresse de muita gente pelas letras, certos Delegados de Governo que estiveles estavam em São Nicolau no período pós-independência. E isso é motivo de alguma mágoa e decepção. Mas graças ao saudoso João de Deus Lopes da Silva (DiDeus) foi possível salvar parte dos livros e em homenagem à memória de João Lopes o seu nome foi atribuído à Biblioteca Municipal. A Dideus a nossa homenagem!
Por direito João Lopes merece o respeito e admiração dos cabo-verdianos. Ignorar o nome deste ilustre intelectual cabo-verdiano é ignorar os momentos mais significativos da história da nossa literatura.
Bem-haja "In Memoria João Lopes". A melhor prenda do Natal.


Parabéns ao Prof. Dr. João Lopes Filho! Que continue a iluminar-nos com a tocha da "Claridade" que recebeu do seu pai!

Mateus Monteiro, Dezembro 2007


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João casou com Maria Amália Ramos de FIGUEIREDO. (Maria Amália Ramos de FIGUEIREDO nasceu em Ribeira Brava, São Nicolau, Cabo Verde e faleceu em †.)


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