Manuel VARELA
Maria Antónia DELGADO ®
(1905-1999)

João Manuel VARELA ®
(1937-2007)

 

Relações da família

João Manuel VARELA ®

  • Nascimento: 7 Jun 1937, Mindelo, São Vicente, Cape Verde
  • Óbito: 7 Ago 2007, Mindelo, São Vicente, Cape Verde com 70 anos de idade
  • Sepult.: Ago 2007, Mindelo, São Vicente, Cape Verde

Símbolo   João também usou o nome João Vário.

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Símbolo  Eventos de relevo na sua vida:



• Associação ou club: sócio nº 174 da Casa dos Estudantes do Império, admitido, 27 Fev 1957, Coimbra, , Coimbra, Portugal. 1 Entre outros dados patentes na ficha, constam:

ESTADO CIVIL: Solteiro

PROFISSÃO: Estudante de Medicina



• Foto idade madura.



• Foto meia idade.

• Nota biográfica: constante no site da Academia Cabo-verdiana de Letras. em virtude de ser patrono da cátedra nº 34 das 40 desta Academia

"João Manuel Varela, mais conhecido como João Vário, nasceu a 7 de Junho de 1937 no Mindelo e morreu a 7 de Agosto de 2007 na mesma cidade. Após concluir o ensino secundário em Cabo Verde, foi estudar medicina na Universidade de Coimbra em 1956, depois em Lisboa e continuou os seus estudos na Universidade de Antuérpia onde obteve o doutoramento em medicina e onde lecionou como professor de neuropatologia e neurobiologia. Médico, neurocientista e professor universitário do Instituto Superior de Engenharia e Ciências do Mar (ISECMAR), ele deu seu nome a uma doença, a Síndrome de Varela. Ele viveu mais de 40 anos fora do arquipélago, 1o dos quais como exilado político."

• Nota biográfica: por Manuel Brito-Semedo em "Esquina do Tempo", 9 Ago 2016. .
João Manuel Varela foi médico, neurocientista e investigador de renome internacional, com destaque para a descoberta de uma síndrome anatomoclínico, agora conhecido por Síndrome de Varela, e Professor Universitário.

Regressado à sua ilha natal da Micadanaia, em 1998, após 42 anos na diáspora, 10 dos quais na situação de exilado político, onde fez doutoramento e agregação na Universidade de Antuérpia (Bélgica), faleceu em Agosto de 2007, aos setenta anos. Em Cabo Verde, João Manuel Varela foi Professor Titular de Citologia e Fisiologia Celular no ex-Instituto Superior de Engenharia e Ciências do Mar (ISECMAR), actual Escola do Mar da Universidade de Cabo Verde.

John ou Geunzim d'Didial, de seu nome próprio João Manuel Varela, filho de Notcha e Bia de Didial, é um escritor cabo-verdiano único e completo que se tresdobra em João VÁRIO (poética ontológica) heterónimo que terá nascido em 1959 e que, pela sua força e originalidade de escrita, lhe roubou a identidade de cidadão e cientista Timóteo TIO TIOFE (poética enraizada e voltada para as ilhas), criado em 1961; e G. T. DIDIAL (ficção filosófico-metafísica), heterónimo que terá sido criado na década de 80.

A sua obra literária, muito complexa e, por isso mesmo, pouco conhecida ou estudada, é constituída por Exemplos, livros 1-9, reunidos em 2000, S. Vicente, faltando publicar os números 10 (European Example), 11 (American Example) e 12 (Exemplo Cheio), assinados por João Vário; Os Livros de Notcha (o primeiro, saído em 1975, o segundo em 2001 e o terceiro com publicação anunciada), S. Vicente, por Timóteo Tio Tiofe; O Estado Impenitente da Fragilidade (1989) e Contos de Macaronésia (vol. I, 1992; vol. II, 1999), S. Vicente, por G. T. Didial.

João Manuel Varela chegou ainda a prometer Sturiadas, um livro épico sobre a África, e O Acaso e o Espírito, uma compilação dos seus diversos ensaios editados em revistas e jornais nacionais e estrangeiros, e chegou a anunciar na Revista ALAC, de M. Ferreira, Epístolas ao Meu Irmão António e Dandanarias (Crónicas).

Em O Primeiro Livro de Notcha, Varela justifica assim o surgimento de Timóteo Tio Tiofe: "Até agora tenho publicado […] sob o pseudónimo de João Vário, uma poesia que nada tem que ver com os problemas específicos de Cabo Verde. Era natural que, homem destas terras, um dia me voltasse para os seus problemas, as suas aspirações, e que tentasse dizê-las em poesia. […] Como se trata de uma linguagem de algum modo diferente […] da que persigo em Exemplos, estimei que devia utilizar um outro pseudónimo".

De facto, a construção desta obra representa um esforço consciente de construção de uma linguagem poética que rompesse com a linguagem que fizera época "Possuímos um antepassado de valor, Jorge Barbosa. Precisamos ultrapassá-lo para fazer progredir a poesia do nosso país".

Do ponto de vista temático, esse primeiro livro, que está organizado segundo a estrutura do poema épico '96 Proposição, Dedicatória, Invocação e Narração "tenta integrar ou introduzir Cabo Verde no discurso poético [...] dentro dos quadros do continente a que pertence a África".

O primeiro livro ocupa-se da ilha de S. Vicente e a formação geral de Cabo Verde, enquanto o segundo se debruça sobre a construção do Estado independente e soberano e ainda sobre as ilhas de Santiago, S. Nicolau e Sal, ficando para um terceiro livro as demais ilhas, completando (?!), assim, o projecto de Tio Tiofe de exaltar o povo de Notcha.

O romance O Estado Impenitente da Fragilidade e a colectânea de Contos da Macaronésia, de G. T. Didial, apresentam, por sua vez, uma perspectiva filosófico-metafísica nova na literatura cabo-verdiana, que consiste numa rotura em relação a tudo quanto se fizera até então.

T. Didial, o "heterónimo ficcional" de João Manuel Varela, confirma-se, com esse tipo de ficção, ser a projecção dos "heterónimos poéticos" ao abordar os mesmos temas de tipo ontológico dos Exemplos, de João Vário, e ao aproximar-se da poesia narrativa dos Livros de Notcha, de Timóteo Tio Tiofe.

"Escrevo assim porque não posso escrever doutra maneira. A estrutura da minha inteligência, da minha memória e da minha sensibilidade […] fazem-me uma leitura do mundo e de mim que não é simples." T. T. TIOFE, 1974.

Para além dessa sua actividade literária diversificada, o PROF. JOÃO MANUEL VARELA foi dinamizador e coordenador da revista Anais (Mindelo, 1999-2001), onde foram publicados artigos da sua autoria que são referências para a história do ensino, da universidade pública e da investigação em Cabo Verde.

Manuel Brito-Semedo


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Fontes


1 UCCLA - União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (Lisboa, Portugal), página 845 do registo de fichas abrangendo o ano de admissão; Tabela 3; Transcrição exata dos ficheiros existentes na Torre do Tombo

Tabela 3 - Coimbra, com 883 fichas de associados (incluindo 141 demitidos); A documentação que a seguir se publica consiste no levantamento dos ficheiros de associados da Casa de Estudantes do Império (CEI) que se encontram à guarda da Torre do Tombo; A CEI instituída a 3 de Julho de 1944, teve a sua sede em Lisboa, e delegações em Coimbrai e no Porto. A razão de ser de esta documentação se encontrar na Torre do Tombo tem a ver com o facto de a sede da Casa dos Estudantes do Império e a sua delegação de Coimbra terem sido encerradas, com a invasão das suas instalações pela PIDE em setembro de 1965. Os respetivos arquivos foram apreendidos pela polícia política e armazenados em Caxias.

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